Minha trajetória

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Ao terminar minha residência médica em Ginecologia e Obstetrícia, já fazia plantões em vários hospitais de São Paulo. Ainda na residência fui contratada como médica assistente em dois hospitais da Santa Casa de São Paulo, o Hospital Geral de Guarulhos e o Hospital São Luis Gonzaga (Jaçanã), onda lidava com residentes do primeiro e segundo ano.

Emendei minha residência em dois aperfeiçoamentos na Santa Casa e no meu mestrado na USP (que já iniciei no final do R3). Nesta fase, tinha que trabalhar 30 dias por mês e virar muitas noites de plantão. Chegava a ficar três dias fora de casa, trabalhando  ininterruptamente, pois os dois aperfeiçoamentos e o mestrado consumiam quase integralmente minha semana, sem receber qualquer remuneração por eles. Por isso, precisava trabalhar à noite e nos finais de semana para me sustentar.

Foram tempos difíceis, como são para a maioria dos recém-formados.

Já no final do R4 comecei a atender em um ambulatório do grupo São José duas vezes ao mês, iniciando o meu projeto de volta para casa, pois já idealizava retornar para minha cidade natal há algum tempo. A remuneração era baixa e os procedimentos que rendiam um pouco mais, como parto e inserção de DIU, eram feitos pelos donos do convênio. Me sentia bastante explorada, mas mesmo assim valorizava a primeira oportunidade que me foi dada em São José dos Campos. Procurava atender bem minhas pacientes, mesmo recebendo tão pouco. Ouvia cada queixa, perguntava todas as informações importantes e fazia um exame físico completo. Ao final, tirava todas as dúvidas e fazia o possível para resolver os problemas de cada paciente. Recebia muitos elogios e isso era o que me fazia continuar no serviço. Porém, após alguns meses, me solicitaram a abertura de agendas semanais, o que era financeiramente inviável para mim, pois o ambulatório não rendia muito a mais do que eu gastava na viagem de ida e volta para São Paulo. Acabei deixando o ambulatório;

Foi então que resolvi ter meu próprio espaço e criar minha clientela, atendendo somente particular. Fui bastante desestimulada pelos colegas. Me contavam que em SJC as pacientes não valorizavam o médico particular, que eu precisaria atender convênios.

Resolvi arriscar, afinal, investi muito na minha formação e precisava ser valorizada por isso. 

De fato não foi fácil. Aluguei um período no consultório da Dra Sonia Mioni. No primeiro ano, usei minha reserva para pagar os aluguéis, atendendo pouquíssimas pacientes. Em alguns dias não tinha ninguém para atender. Eu literalmente pagava para trabalhar. 

Eu estava há muitos anos fora de SJC e não tive ajuda de nenhum colega mais velho que pudesse me dar um empurrão, encaminhar pacientes, arrumar algum trabalho. Fui realmente com a cara e com a coragem e comecei do zero. 

Começaram a aparecer uma ou outra paciente, que gostavam do atendimento e indicavam para outras, e de repente o volume começou a aumentar exponencialmente. Em um ano e meio minha agenda estava lotada e tive que aumentar um período de atendimento, que logo encheu também. 

Começaram a aparecer as gestantes e aí vi a necessidade de ficar mais dias em SJC. Prestei o concurso da Unimed para poder ter clientela suficiente para encher vários dias de atendimento. Passei no concurso e comecei o atendimento em abril de 2019. 

Nesta fase também já tinha minha agenda cheia em São Paulo. Trabalhava todos os dias em laboratórios, fazendo Colposcopia. Cheguei a trabalhar nos laboratórios Crya, Cura, Salomão e Zoppi, mas me mantenho até hoje no Ghelfond e Femme.

Também fazia há alguns anos um plantão cirúrgico no Hospital Metropolitano, onde atendo partos e cirurgias de urgência. 

Hoje em dia já não estou mais naqueles dois primeiros hospitais onde fui contratada, pois as condições de trabalho não eram as melhores. Acabei por pedir demissão dos dois empregos.

Hoje, fevereiro de 2021, sigo no processo de transição de São Paulo para SJC, ainda mantendo a residência em SP com meu marido (que ainda não concluiu sua formação em Ortopedia e Traumatologia). Tenho aberto cada vez mais agendas no consultório em SJC e buscado oportunidades na região. Com o crescente número de gestantes que têm me escolhido para o parto, tenho tentado acelerar este processo, de forma a ficar mais disponível, porém, não tem sido fácil encontrar oportunidades tão boas de trabalho como tenho em São Paulo. Além disso, ficar longe do meu marido também é um desafio. Em breve pretendo fixar a residência em SJC.