Força de cocô

Quem já presenciou um parto normal, provavelmente já escutou a frase "Faz força de cocô"!


Entretanto, essa expressão, tão utilizada na Obstetrícia há décadas, não encontra mais

evidências científicas que suportam o seu uso.


O trabalho de parto passa por quatro fases: dilatação, expulsão, dequitação da placenta

e quarto período (período de uma hora que observamos o sangramento da parturiente).


No período de expulsão, geralmente é necessário que a mulher faça força para ajudar na saída do bebê. Quanto melhor direcionado e consciente é esse movimento, melhor eficácia temos na descida do feto e menos riscos de lesão perineal.


Embora a musculatura do assoalho pélvico não seja completamente individualizada, é

possível direcionar a força do período expulsivo para o canal vaginal. Se convencionou a

estimular as mulheres a fazer força de evacuação, provavelmente por ser uma orientação de fácil compreensão para a maioria delas. Entretanto, direcionar a força para

o canal anal, tende a ser menos eficiente e mais sujeito a lesões do assoalho pélvico, com maior risco de hemorróidas, parto prolongado e lesão da musculatura da região.


O canal vaginal faz um caminho diferente do canal anal, portanto, o ideal é que se direcione a força para a vagina, e não para o ânus. Essa força costuma ser instintiva para a mulher que está sem analgesia. Conhecer o próprio corpo, tentar manter a calma no momento do expulsivo e fazer um trabalho com uma fisioterapeuta pélvica podem facilitar a compreensão da força correta.




Quando fazemos a força no canal anal, além de não ser tão efetivo na descida do bebê, isso gera uma pressão muito grande na região, podendo trazer as complicações que mencionei acima.


Portanto, apesar dessa frase ainda ser tão comum, se alguém te pedir para fazer força de cocô durante o trabalho de parto, ignore e procure fazer a força direcionada ao canal de parto.

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